TENENTE BEZERRA

 

                   João Bezerra da Silva, nasceu no interior de Pernambuco, na localidade chamada Serra da Colônia, no município de Afogados da Ingazeira em 24 de junho de 1898. Filho de Henrique Bezerra da Silva e Marcolina Maria Bezerra da Silva, pequenos proprietários de terra que viviam da agricultura e da pecuária.

                   Dividia as peraltices infantis com mais seis irmãos: Cícero, Amaro, Manuel, José, Vitalina e Maria. Desde pequeno demonstrava um temperamento forte e generoso.

                   Jovem ainda, assentou praça na Polícia Militar de Alagoas (então Força Pública) em Maceió, onde iniciou a sua carreira militar em 29 de março de 1922. Tendo conquistado uma folha de serviços marcada de promoções por bravura e merecimento, sendo - em conseqüência - escolhido para as mais árduas, difíceis e diferentes missões.  

                   Foi servindo no 2° Batalhão em Santana do Ipanema, a partir de 1930, que - somente contra o bando de Lampião - empreendeu onze ações de combate que culminaram em 28 de julho de 1938, com o combate do Angico - Sergipe, em que o levou a concretizar o sonho de todos, de pôr um fim a escalada do terror personificado: Lampião.

                   Bezerra, profissional dedicado e destemido, em um dos seus muitos combates foi ferido e ficou com seqüelas que lhe causaram dificuldades de locomoção por longo tempo. Por esse motivo, Lampião o apelidou de "Cão Coxo" (na alegoria mística do nordestino, Cão significa: Diabo, Demônio, Satanás, Capeta, etc.). Pois, para ele era o Tenente Bezerra, além de seu principal algoz, o "Cão em figura de gente". Em contrapartida, era chamado, por este, de: "O Cego".

                   No combate do Angico, além do próprio Lampião, tombaram Maria Bonita e mais nove cangaceiros, sendo um acontecimento de grande abrangência social e repercussão internacional à época, resultando, também do combate, a morte do soldado Adrião Pedro de Souza e um ferido, o próprio tenente Bezerra, com um tiro transfixado na mão e outro na coxa, ficando a bala alojada no quadril.

                   A esse respeito, o já mencionado poeta cordelista, Medeiros verseja da seguinte maneira (alguns excertos) :

"............

Os cabras de Lampião

Inda mataram um soldado.

O Tenente João Bezerra

Numa perna baleado,

Como o balaço foi leve

Ele ficou aprumado.

............

Um soldado valentão,

Chegou lá reconheceu,

Lampião morto no chão

Deu um grito que tremeu:

- Tenente João Bezerra,

O cego agora morreu!

............

Quando o Tenente viu

Lampião morto no chão

Nunca houve para um homem

Outra maior emoção,

Saber que matou o rei

Do cangaço do Sertão."

(1996 p. 45-46)

   

Posteriormente, Bezerra foi recebido - no palácio do Catete - pelo então Presidente da República Dr. Getúlio Dornelles Vargas que nutria grande interesse pelas campanhas e pelo término das ações dos cangaceiros. Depois passou a destacar-se, em comissão, em funções de Estado-Maior da PM alagoana e, também como delegado de polícia judiciária (permitido pela legislação de então) em várias cidades do Estado. Galgou, desde o alistamento como soldado, todas as graduações (praça) e postos (oficial) da força policial a qual pertencia. Passou ao posto de Coronel (último da carreira) e foi para a reserva em 04 de outubro de 1955. Daí em diante, dedicou-se à agricultura e à pecuária.

                   Sobre o grande feito de Bezerra, Pernambucano de Mello, em justas palavras, nos lega que "A fortuna militar do então tenente João Bezerra - em vida não costumava usar o da Silva de seu nome - responde pelo feito. Feito d'armas, como gostavam de dizer os antigos, e feito de méritos incontestes, além de notavelmente importante para a história da região, sejam quais tenham sido as circunstâncias sob cujo império se produziu." (1983 p. 34)

                   Britto, muito bem sintetiza sua última senda, referindo-se que "foi maçom, alcançando na Ordem - que preserva como valores máximos, a família e o equilíbrio da sociedade - o "Grau 18", vindo a falecer na cidade de Garanhuns-PE. em 04 de dezembro de 1970, vitimado por um derrame [aos 72 anos de idade]. Recebeu alusões honrosas pela Câmara de Vereadores daquela Cidade. Seu corpo foi velado no quartel da Polícia Militar de Alagoas em Maceió, onde recebeu homenagens e foi sepultado no Mausoléu da Maçonaria, deixando o exemplo de vida para os que valorizam os padrões éticos da Sociedade." (2000 p. 29)

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

MEDEIROS, Antônio Américo de. Op. cit.

 

PERNAMBUCANO DE MELLO, Frederico.

   As muitas mortes de um rei vesgo.[Introdução]

     in BEZERRA, João (Cap). Como dei cabo de Lampeão.

    Recife: Fundaj/Massangana, 1983  3ª ed. rev. aum.

 

BRITTO, Paulo. Op. cit.